Com criatividade e técnica, pedaços de pano viram belos bonecos nas mãos de internas de Jateí

Jateí (MS) – No Estabelecimento Penal Feminino “Luiz Pereira da Silva”, em Jateí, cortes de tecido estão sendo transformados pelas reeducandas em bonecas e enfeites em formato de bichinhos, tudo muito delicado e bonito. A atividade integra a mais nova linha de produção do projeto “Tecendo Vidas”, realizado há mais de dois anos no presídio.

O trabalho está sendo possível graças a um curso ministrado às detentas no último mês, por meio da parceria entre a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), Sindicato Rural e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).

Com carga horária de 16 horas/aula, o curso envolveu noções básicas de costura, preparação e confecção dos moldes, montagem dos bonecos, costura e pintura de peças e seus vestuários, decoração e utilização, aspectos de comercialização, preservação do meio ambiente, higiene e segurança no trabalho. No total, 14 internas foram qualificadas.

Curso do Senar capacitou as reeducandas na arte de fazer bonecos.

De acordo com a instrutora Vilma Vieira Medina Paes de Barros, que há 32 anos trabalha como artesã, as alunas aprenderam a confeccionar bonecas e bichos de pano utilizando tecidos conforme recomendações técnicas de costura simples e rudimentar.

A mobilizadora da capacitação, Franciele Souza Silva, destaca que o curso, além de proporcionar uma renda extra para as participantes, ajuda no processo de empoderamento feminino, pois trabalha com a autoconfiança. “É um artesanato ao alcance de todas, utilizamos materiais ecologicamente sustentáveis, muita coisa que antes ia para o lixo agora elas poderão utilizar para a confecção”, comenta.

Conhecimento proporciona renda extra e ajuda a autoestima.

Além das bonecas em pano, no “Tecendo Vidas” as detentas confeccionam caixas decoradas, trabalhos em decoupage, crochê, bordados e fuxicos. Como forma de mostrar à sociedade as peças artesanais feitas pelas reeducandas, a unidade prisional tem participado de exposições públicas locais. “Nossa proposta é ampliar, gradativamente, a divulgação dos trabalhos à população, além de aumentar o número de internas desenvolvendo ocupação produtiva”, ressalta a diretora da unidade prisional e idealizadora do projeto, Solange Pereira da Silva.

A dirigente pontua que essa ação visa combater a ociosidade das custodiadas, além de proporcionar novas perspectivas de reinserção social. “Desenvolver atividade produtiva dentro do presídio assegura uma profissão e fonte de renda às internas; e a beleza e qualidade das peças demonstram o sucesso dessa iniciativa”, elogia.

Além dos cursos de qualificação oferecidos por meio de parcerias, no “Tecendo Vidas”, a partir de orientação do Setor de Trabalho da unidade penal, o conhecimento é passado de uma interna para a outra e a criatividade é a grande aliada do trabalho das reclusas, que demonstram nas peças a perspectiva de uma vida longe da criminalidade.

“O foco desse trabalho é contribuir, de forma saudável e gradativa, no processo de reintegração social das internas, além de aumentar a autoestima e influenciar na mudança de valores e comportamentos”, afirma Solange.

Para a confecção das peças, a administração do estabelecimento prisional realiza a doação dos materiais como linhas e agulhas, e as internas aprendem técnicas de elaboração, acabamento e colorimetria, entre outros.

Inúmeros projetos importantes como este são desenvolvidos em todos os estabelecimentos penais do estado para proporcionar um cumprimento de pena de forma humanizada, segundo o diretor-presidente da Agepen, Aud de Oliveira Chaves. “O objetivo é permitir que os internos se ocupem com algo produtivo e aprendam novas técnicas de trabalho que podem ser usadas tanto dentro da unidade quanto em liberdade”, finaliza.

Texto: Keila Oliveira e Tatyane Santinoni.

Fotos: Divulgação/Agepen-MS.