Publicado em 14 jan 2026 • por Keila Oliveira •
A reinserção social de pessoas egressas do sistema prisional é um desafio que exige apoio contínuo e políticas públicas eficazes. Na capital de Mato Grosso do Sul, esse papel é exercido pelo Escritório Social, uma das unidades assistenciais da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), que atua no pós-pena como espaço de acolhimento e articulação de oportunidades, sem caráter fiscalizatório.
Um exemplo é Joanice da Guia de Jesus, 54 anos, hoje microempresária no ramo alimentício. Após cumprir dez anos de pena, ela enfrentou a discriminação ao deixar o sistema prisional. “Ser taxada como ex-presidiária fecha muitas oportunidades”, relata. Ao procurar o Escritório Social, iniciou um novo ciclo: foi contratada para atuar na própria unidade, concluiu curso de Informática Básica e, em 2025, fundou uma empresa voltada ao aluguel de itens de buffet e produção de bolos.
“O Escritório Social virou meu ponto de apoio. É ali que a gente percebe que não está sozinho”, afirma Joanice, que também regularizou documentos pessoais e da mãe adotiva com apoio da equipe. “Encontrei a chance de ser vista como pessoa novamente”, resume.
Atendimento humanizado
Com equipe multiprofissional formada por assistentes sociais, psicólogos e técnicos, o Escritório Social oferece orientação jurídica, encaminhamentos às redes de saúde, educação e assistência social, além de capacitação e inserção no mercado de trabalho.
A diretora do Escritório Social, Tânia Harden, destaca que o foco é acolher e promover autonomia. “Nosso objetivo é apoiar o egresso e sua família para que superem obstáculos e não retornem à invisibilidade”, afirma.
Para a diretora de Assistência Penitenciária da Agepen, Maria de Lourdes Delgado Alves, o serviço é estratégico na política de reinserção social. “O atendimento é individualizado e voltado às vulnerabilidades, fortalecendo vínculos e garantindo acesso aos direitos de cidadania”, explica.
O Escritório Social tem sede em Campo Grande. No interior do estado, o atendimento é realizado pelos Patronatos Penitenciários, que também acompanham e orientam pessoas egressas.
Trabalho que transforma
A experiência de Gustavo Henrique Fonseca Miranda, 21 anos, reforça os resultados do serviço. Em regime aberto, com tornozeleira eletrônica, ele enfrentou recusas no mercado de trabalho. “Quando viam a tornozeleira, desistiam. Eu quase voltei para o crime”, lembra.
Encaminhado ao Escritório Social pelo Patronato Penitenciário, Gustavo recebeu capacitação e, em cinco dias, conquistou uma vaga em um hospital de Campo Grande. “Antes eu era visto como bandido. Hoje sou trabalhador. Isso muda tudo”, afirma.
Histórias como essas demonstram que a reinserção social é possível quando há acolhimento, oportunidade e políticas públicas estruturadas.
Entre os principais serviços estão encaminhamentos às redes públicas, como CRAS, CREAS e CAPS; qualificação profissional, com 21 turmas de Informática Básica concluídas; oficinas de elaboração de currículo e postura profissional; além de apoio jurídico e emissão de documentação civil.
O trabalho é fortalecido por parcerias com instituições como Ministério do Trabalho e Emprego, Fundação do Trabalho, Fundação Social do Trabalho de Campo Grande, Conselho da Comunidade, Organização da Sociedade Civil Águia Morena, Narcóticos Anônimos, Subsecretaria de Políticas Públicas LGBTQIA+, Secretaria Executiva da Mulher, entre outras.
O Escritório Social tem sua sede em Campo Grande, onde se concentra a maior parte da população carcerária de Mato Grosso do Sul. No interior do estado, os atendimentos às pessoas egressas é desempenhado pelo patronatos penitenciários, que também prestam acompanhamento social e orientações voltadas ao recomeço.
Com informações da Revista Polícia Penal em Ação.