Publicado em 17 mar 2026 • por Tatyane Oliveira Santinoni •
Uma iniciativa que une ressocialização e geração de oportunidades de trabalho no sistema prisional ganhou um novo capítulo com a inauguração da padaria do Estabelecimento Penal Masculino de Regime Fechado de Caarapó. A ação também marcou a formalização de uma parceria entre a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) e a Prefeitura Municipal, voltada ao fortalecimento de projetos de qualificação profissional e reintegração social de pessoas privadas de liberdade.
A nova estrutura foi construída com recursos provenientes de penas pecuniárias destinadas pelo Fórum da Comarca de Caarapó, após aprovação do projeto apresentado pela direção da unidade prisional. A iniciativa busca ampliar as oportunidades de trabalho e qualificação profissional para pessoas privadas de liberdade, contribuindo para o processo de reintegração social.
De acordo com o diretor da unidade, policial penal Gilson Lino Filho, a implantação da padaria representa um avanço importante para a ressocialização no município. Segundo ele, além de oferecer qualificação profissional aos internos, o projeto também traz benefícios diretos à comunidade.
“Por meio dessas iniciativas, os internos terão oportunidade de aprender uma profissão e se preparar para uma nova etapa de vida após o cumprimento da pena. Ao mesmo tempo, a sociedade também será beneficiada, com a produção de pães que poderão atender instituições como escolas, creches e entidades assistenciais”, destacou.
Os maquinários necessários para o funcionamento da padaria foram disponibilizados pela agência penitenciária, viabilizando a estrutura para a produção de panificados e a implementação da atividade laboral dentro da unidade. A iniciativa integra as ações voltadas à promoção do trabalho e da qualificação profissional no sistema penitenciário estadual.
Novas frentes
Durante a solenidade, também foram assinados contratos de cooperação entre a Agepen e a Prefeitura de Caarapó. A parceria permitirá não apenas o funcionamento da padaria dentro da unidade penal, mas também o desenvolvimento de outras atividades laborais, como um projeto de fabricação de pavers (blocos de concreto) através do Programa Cidade Digna da Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais), cuja produção poderá atender demandas do município.
A prefeita de Caarapó, Maria de Lurdes Portugal, destacou que a iniciativa representa um avanço importante tanto para a ressocialização quanto para o atendimento social no município.
“Projetos como esse permitem que as pessoas privadas de liberdade adquiram qualificação profissional e tenham novas oportunidades quando retornarem à sociedade. Além disso, a produção da padaria poderá beneficiar instituições do município, ampliando o alcance das ações sociais”, ressaltou.
Para a promotora de Justiça da 1ª Vara da Comarca de Caarapó, Fernanda Rottili Dias, a construção da padaria foi possível graças à destinação de recursos provenientes de penas pecuniárias, administradas pelo Ministério Público.
Segundo ela, o projeto representa um importante instrumento de ressocialização, ao oferecer capacitação profissional e perspectivas de trabalho aos internos após o cumprimento da pena. A promotora também destacou que a produção de pães poderá atender ações sociais, beneficiando diretamente a comunidade.
Representando a direção da Agepen, a diretora de Assistência Penitenciária, Maria de Lourdes Delgado Alves, ressaltou que a união entre instituições públicas e a sociedade contribui na construção de um sistema penitenciário mais humano, produtivo e voltado à transformação social.
“O trabalho e a qualificação profissional dentro das unidades penais são fundamentais para preparar as pessoas privadas de liberdade para o retorno à sociedade, contribuindo para reduzir a reincidência criminal e ampliar as oportunidades de reintegração social”, afirmou.
A solenidade contou com a presença de diversas autoridades, entre elas o presidente da Câmara de Vereadores, João Paulo Farias da Silva; a vice-prefeita Jéssica Duarte Valério; além de representantes da Agepen, do Ministério Público, da Defensoria Pública, do Poder Legislativo municipal, lideranças comunitárias e servidores do sistema penitenciário.




