Policiais penais interceptam 18 drones na Máxima e reforçam combate ao uso de tecnologia pelo crime

Drones expostos em mesa com o simbolo da Agepen ao fundo.
  • Publicado em 21 out 2026 • por Keila Oliveira •

  • A atuação conjunta da Polícia Penal e da Força Penal Nacional impede a entrada de ilícitos e causa prejuízo estimado em mais de R$ 300 mil ao crime organizado

    O uso de drones pelo crime organizado para transportar celulares, drogas e outros materiais proibidos exige atualização constante das estratégias de segurança e da preparação dos policiais penais. Em Mato Grosso do Sul, a atuação conjunta da Força Penal Nacional (FPN) e da Polícia Penal estadual resultou na interceptação de 18 drones no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho a Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande, nos últimos dois meses.

    As apreensões representam um prejuízo estimado em mais de R$ 300 mil ao crime organizado, considerando exclusivamente o valor dos drones. O cálculo não inclui os materiais transportados pelos aparelhos nem os demais ilícitos apreendidos nas ações de segurança.

    Os equipamentos contam com adaptações para transportar e liberar cargas durante o voo, permitindo o lançamento de materiais no interior da unidade. Cada drone pode transportar até seis celulares e aproximadamente 600 gramas de entorpecentes.

    Para o representante da Força Penal Nacional, Claudevan Queiroz Costa, a integração entre as equipes é fundamental para enfrentar essa modalidade de ação criminosa, que utiliza recursos tecnológicos para tentar burlar os mecanismos de segurança dos presídios.

    “Estamos enfrentando um crime organizado que usa tecnologia para tentar abastecer as prisões. O policial penal precisa de equipamento, treinamento e informação para agir. Cada celular que impedimos de entrar é um meio a menos para transmitir ordens, aplicar golpes e ameaçar a população. Investir nas condições de trabalho desses profissionais é fortalecer o controle do Estado e proteger quem está aqui fora. Prisão não pode ser escritório do crime”, afirma o secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia.

    Drones apreendidos serão utilizados na capacitação

    Além de retirar os equipamentos de circulação, a iniciativa prevê o aproveitamento dos drones no treinamento dos policiais penais. Os aparelhos estão sendo entregues à Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) e serão utilizados futuramente em atividades de capacitação.

    O contato com os equipamentos e suas adaptações permitirá aos profissionais conhecer melhor os recursos utilizados pelo crime e aprimorar as estratégias de prevenção e interceptação.

    Segundo o diretor de Operações da Agepen, Flávio Rodrigues, a iniciativa contribuirá para preparar as equipes diante desse desafio e aperfeiçoar as ações de segurança nas unidades.

    Paralelamente às interceptações, estão sendo instaladas telas de proteção na Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande. As estruturas funcionam como barreiras físicas para dificultar o lançamento de materiais por drones, complementando o trabalho de vigilância e fiscalização.

    Atuação integrada

    O trabalho conjunto entre a FPN e a Polícia Penal de Mato Grosso do Sul permite compartilhar informações sobre as movimentações identificadas na unidade e adotar respostas coordenadas às tentativas de entrada de materiais ilícitos. Os materiais apreendidos foram registrados e encaminhados aos setores competentes para os procedimentos cabíveis.

    As ações integram as operações da Força Penal Nacional iniciadas em 24 de agosto de 2026 no estado, com o objetivo de testar e aperfeiçoar protocolos de prevenção e enfrentamento ao uso de drones no ambiente prisional.

    O emprego da FPN está autorizado pela Portaria MJSP nº 1.280, de 13 de agosto de 2026, que prevê sua atuação no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, em Campo Grande, e na Penitenciária Estadual de Dourados, em atividades de treinamento, capacitação e desenvolvimento de protocolos de segurança.

    Os resultados das operações subsidiam a avaliação e o aperfeiçoamento das estratégias de combate ao uso de aeronaves remotamente pilotadas para introduzir materiais ilícitos nos estabelecimentos penais.

    Categorias:

    Segurança Pública

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