Liberta Yoga trabalha disciplina e ressocialização de detentas em regime semiaberto

Categoria: Tratamento Penal | Publicado: sexta-feira, junho 28, 2019 as 07:02 | Voltar

Campo Grande (MS) – Apresentar ferramentas psicoposturais que proporcionem autoconhecimento, aceitação da realidade, autorresponsabilidade, amorosidade, discernimento e força de vontade são propostas das aulas de yoga que vêm sendo desenvolvidas há cerca de um mês com reeducandas do Estabelecimento Penal Feminino de Regimes Semiaberto e Aberto de Campo Grande (EPFRSAAA-CG).

Com o nome “Liberta Yoga”, o projeto acontece semanalmente, todas as sextas-feiras, durante uma hora, e envolve exercícios respiratórios (pranayamas), posturas psicofísicas (asanas) e propostas de reflexões para a vida prática, além de outras ferramentas do yoga, como gestos e sons de poder, conhecidos como mudrás e mantras.

“Eu estou gostando muito, está ajudando a gente a relaxar a mente. Alivia o corpo e a gente fica mais tranquila, espero que continue sempre”, agradece a interna Rosimeire Benites, uma das participantes.

Assim como no depoimento de Rosimeire, a prática dessa arte milenar realmente ajuda a eliminar o estresse e contribui para o melhor funcionamento do organismo. É o que garante a instrutora voluntária Fabrícia Bento Sampaio, responsável pelas aulas no presídio.  “A filosofia do yoga nos ensina a olhar para a realidade e aceitar as coisas - situações, pessoas e nós mesmos – como são, para, a partir da aceitação, trabalharmos em prol de nosso próprio bem-estar”, comenta a professora, que é proprietária da “Casaterapia Yoga e Terapias Integradas”, atuando também com Reiki, massagem relaxante terapêutica, entre outras técnicas.

A ideia de ser voluntária na unidade penal, segundo ela, foi inspirada no trabalho do professor Hermógenes, figura conhecida como pioneiro na divulgação do yoga no Brasil. “Existe um documentário sobre ele que mostra uma parte do trabalho dele em um presídio e os depoimentos dos detentos que passaram por essa experiência com ele; é muito incrível e inspirador”, revela Fabrícia.

Além de proporcionar melhoria na qualidade de vida das mulheres em situação de prisão, a intenção do “Liberta Yoga” é colaborar com a reinserção social, a partir da apresentação de práticas que possibilitam uma maneira de ver o mundo, e a si mesmas, diferente do que estão habituadas.

“O objetivo é levar perspectivas para a criação de uma realidade, talvez, nunca considerada até então, e, com isso, auxiliar na ressocialização das internas, através do reconhecimento do valor pessoal de cada uma, pois quem tem lucidez e aceitação acaba impactando positivamente no ambiente em que está, seja ele qual for”, defende a instrutora, que há 4 anos ensina yoga.

Possibilitado pela Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), o “Liberta Yoga” conta com o apoio da 50ª Promotoria de Justiça, representada pela promotora Renata Ruth Goya, que realizou a doação dos colchonetes para as aulas. Ela esteve no estabelecimento penal acompanhando a realização do projeto e classificou a ação como bastante positiva. Assim como no semiaberto, a promotora foi incentivadora da prática na unidade feminina fechada, onde outro professor voluntário iniciou o projeto há mais de um ano.

Diretora Cleide, promotora Renata Goya e instrutora Fabrícia.

"A prática do yoga é extremamente benéfica para todos. Yoga significa união e conexão. Quando nos reconectamos com nossa essência, a saúde física e mental melhora. Quando a pessoa está consciente de si e de seu lugar no mundo, resta instalada uma cultura de paz, bem-estar e solidariedade, necessário não somente em uma unidade penal, mas na vida de todos nós", ressalta a promotora Renata Goya.

Para a diretora da unidade penal, Cleide Santos do Nascimento Freitas, o oferecimento da iniciativa às custodiadas não se trata apenas de uma atividade física, mas sim uma forma de melhorar a convivência entre as detentas, o que impacta também na melhoria da disciplina. “Leva ao autoconhecimento, não julgando a si mesmo nem ao próximo, reconhecendo seus limites e potencialidades, portanto, para o ambiente prisional, onde convivem pessoas diversas, cada uma com seus costumes, esta atividade é excelente”, destaca.

Texto: Keila Oliveira e Tatyane Santinoni.

Publicado por: Keila Terezinha Rodrigues Oliveira

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