No presídio de Ponta Porã, ressocialização também é incentivada com técnicas de coaching

Categoria: Ressocialização | Publicado: terça-feira, junho 16, 2020 as 09:23 | Voltar

Ponta Porã (MS) – Transformação de vidas, novos sonhos e expectativa de um futuro diferente marcaram o curso de inteligência emocional promovido junto a internos da Unidade Penal "Ricardo Brandão" (UPRB), em Ponta Porã. Por meio de videoconferência, foram repassadas 50 horas de imersão do Método CIS (Coaching Integral Sistêmic), elaborado pelo coach reconhecido internacionalmente, Paulo Vieira.

Através de depoimentos e mentorias, foram analisados os 11 pilares que compõem a vida e que precisam estar em harmonia para atingir o sucesso: emocional, espiritual, parentes, filhos, conjugal, social, saúde, servir, intelectual, financeiro e profissional.

O objetivo foi proporcionar momentos de reflexão para que os apenados criassem metas para deixar a criminalidade; além disso, o treinamento em inteligência emocional visa contribuir para amenizar os efeitos psicológicos da pandemia da Covid-19 entre a população carcerária.

Preso por tráfico de entorpecentes, o reeducando Samuel, revelou que, com as técnicas de coach, conseguiu enxergar o mal que estava causando às pessoas com suas atitudes erradas. Segundo o interno, que também já sofreu de depressão, sua nova missão será ajudar pessoas que passam por situações semelhantes, através de suas experiências pessoais e, para isso, pretende escrever um livro e ministrar palestras ao sair da prisão.

Dinâmicas em grupo também foram desenvolvidas durante o curso.

Escritor mais lido do ano passado, Paulo Vieira, já influenciou mais de 40 milhões de pessoas em três continentes através de livros, vídeos e treinamentos. Além disso, é presidente da Febracis, maior empresa de coaching do mundo, que cresceu 200 vezes em 8 anos e possui 40 unidades no Brasil, EUA, Angola e Portugal.

Promovida pela Febracis, a UPRB foi o segundo presídio do Brasil a receber a iniciativa e se destacou pelo grande volume de internos cursando o nível superior na unidade. As aulas foram ministradas por cinco dias e contaram com a participação do diretor de Políticas Penitenciárias do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), Sandro Abel; da treinadora da Febracis, Ana Carla Cabral e do coach e ex presidiário, Newton Albuquerque.

Após passar 10 anos preso em Alcaçuz no Rio Grande do Norte, Newton se tornou coach e atualmente ministra palestras a internos de várias regiões do país. “Poder dividir um pouco do meu aprendizado com eles e ter a certeza que também estão mudando de vida é algo maravilhoso, então agradeço a todos pela oportunidade e que possamos, juntos, somar a essa corrente do bem”, afirmou.

O treinamento foi articulado pela servidora penitenciária Carla Gameiro, que informou a intenção de dar continuidade ao processo de coaching junto aos internos da unidade, por meio de videoconferências sobre inteligência emocional com diferentes participações. " Essa imersão foi só o início do processo", ressaltou.

Na opinião do diretor da UPRB, Carlos Jardim, o sistema penal brasileiro vive um novo momento em que o servidor penitenciário é a peça fundamental no processo de ressocialização, seja ele atuando na gestão, seja nos bastidores. "A disponibilização do curso como a do método CIS para internos retrata bem essa atuação do novo policial penal, já que o objetivo foi justamente reintegrar o preso à sociedade com uma nova perspectiva de ver e atuar, ou seja, acreditar em si e saber que é possível recomeçar quando falhamos em algum momento da vida", destacou parabenizando toda a equipe da Agepen e a Febracis pela disponibilização do treinamento.

Ao todo, 35 internos receberam a capacitação, que também foi aberta a policiais penais. As aulas foram ministradas na modalidade à distância, seguindo as orientações do Ministério da Saúde, com segurança e higienização necessária para todos os participantes.

Com duração de cinco dias, os encontros foram organizados pela servidora Ana Rebeka Castro Santos, junto com o setor psicossocial, administração e a direção do presídio.

Texto: Tatyane Santinoni e Keila Oliveira.

Publicado por: Tatyane Oliveira Santinoni

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