Em Jateí, projeto leva inclusão e ajuda financeira a detentas que não têm apoio da família

Categoria: Tecendo Vidas | Publicado: segunda-feira, outubro 26, 2015 as 08:00 | Voltar

Jateí (MS) – “Tecendo Vidas” é o nome do projeto desenvolvido no Estabelecimento Penal Feminino Luiz Pereira da Silva, em Jateí, que, por meio do artesanato em linha, leva profissionalização e ajuda financeiramente internas que não possuem apoio da família. Apesar de a iniciativa ser recente, pois foi iniciada há apenas dois meses, a beleza e qualidade das peças demonstram o seu sucesso, que além de assegurar geração de renda para as custodiadas, combate a ociosidade e proporciona novas perspectivas de reinserção social.

No presídio, as recuperandas recebem da direção a doação de materiais como linhas e agulhas para iniciarem a confecção do artesanato e também aprendem técnicas de elaboração, acabamento e colorimetria etc. A partir de orientação do Setor de Trabalho, o conhecimento é passado de uma interna para a outra, que podem usar e abusar da criatividade, imprimindo nas peças sonhos e perspectivas de uma vida longe da criminalidade.

A chefe do Setor de Trabalho, agente penitenciária Solange Pereira da Silva, idealizadora e responsável pelo projeto, conta que a ideia surgiu da percepção de que as custodiadas que não recebem apoio da família acabam tendo uma condição diferente dentro do presídio, seja psicológica ou financeira, e isso acaba atrapalhando no processo de ressocialização. “Melhora a autoestima delas, pois é um trabalho bonito aos olhos e que também é uma garantia de retorno financeiro”, afirma.

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A beleza e criatividade das peças imprimem sonhos e expectativas das recuperandas.

A responsável pelo “Tecendo Vidas” destaca que, apesar de ser um projeto de inclusão, existe toda uma avaliação para que se participe do trabalho de artesanato, levando em consideração bom comportamento e vocação. “Não é só o produzir que está em questão, é necessário que elas mereçam e que sejam peças de qualidade, para que realmente tenha o retorno que esperamos”, informa Solange, lembrando que existem outras opções de ocupação laboral na penitenciária.

Atualmente, 15 internas participam da ação, mas a intenção é ampliar para pelo menos 20 beneficiadas, conforme explica a diretora da unidade prisional, Maria Lúcia de Souza. Segundo ela, no momento os artesanatos são produzidos nas próprias celas, mas com a construção de um barracão de trabalho no presídio, realizada por meio de parceria entre a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) e o Conselho da Comunidade, está sendo possível aumentar o número de custodiadas e garantir, ao mesmo tempo, o aperfeiçoamento das artesãs e o controle de qualidade dos produtos.

Uma das beneficiadas é a detenta Joana Darc Duarte, 36 anos, natural de Barra do Garça (MT). Presa por tráfico de entorpecentes desde 2013, ela garante que o projeto está fazendo diferença na sua vida. “Não tenho visita e minha família não tem condições de me ajudar aqui dentro; esse projeto para mim foi muito bom, principalmente porque me ajuda financeiramente e me faz aprender coisas novas”, afirma.

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Quinze internas trabalham no Tecendo Vidas; algumas já no novo barracão.

Outra artesã é Lucimeire Lopes Mendes, 45 anos, que revela ter aprendido na penitenciária a arte de confeccionar peças em linha.  “Nunca tinha feito isso e hoje gosto do que faço, eu passo a maioria do meu tempo fazendo tapetes e roupas de crochê. O tempo também passa mais rápido e, a cada peça, nós aprendemos mais; isso, com certeza, muda nossa vida para melhor”, garante a interna que é natural de Dourados e também está presa por tráfico de entorpecentes desde 2013.

De acordo com a diretora Maria Lúcia, a intenção do presídio é ampliar as opções de venda, com exposições na cidade de Jateí e em municípios vizinhos. “Estamos buscando parcerias para que possamos dar mais vazão às peças e também mostrar para a sociedade os belos trabalhos que são feitos aqui”, comenta a diretora. Segundo ela, todo o lucro arrecadado com as vendas é repassado às internas para a aquisição de mais materiais e para suprir outras necessidades.

Para o diretor-presidente da Agepen, Ailton Stropa Garcia, iniciativas como esta têm feito diferença no trabalho do Sistema Penitenciário de Mato Grosso do Sul, onde os servidores não são apenas cumpridores de suas várias funções. “São pessoas com conhecimento, com formação superior, que se preocupam em construir um futuro diferente para seus custodiados e custodiadas, procurando devolvê-los melhores à sociedade do que quando chegaram ao sistema”, destaca.

 O presídio feminino de Jateí está localizado na Rua Olímpio Jorge Leite, nº 423. O telefone para contato da unidade prisional é o (67) 3465-1375.

Colaborou agente penitenciária Evelym Ellem Pereira Tibúrcio, do EPJateí.

Publicado por: Keila Terezinha Rodrigues Oliveira

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